Thomas Steward é gerente da EnerSolar + Brasil – Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar
Steward traça um panorama, embasado em pesquisas concretas, do setor de energias renováveis no Brasil e no mundo. Fala sobre as novidades expostas na EnerSolar 2016, da importância do fortalecimento do mercado de energia livre e do país diversificar sua matriz para não ficar refém de fenômenos naturais adversos, entre outros assuntos importantes. O diretor é, também, enfático: seremos, em breve, um dos maiores geradores mundiais de energias limpas e renováveis.
EcoGuia. Qual a importância de organizar um evento com esta temática?
Steward: A Cipa Fiera Milano sempre atuou em segmentos relevantes para a economia e o mercado nacional. Hoje, tratarmos de Tecnologias Limpas para Geração de Energia é de fundamental importância, tanto no quesito melhoria da performance das empresas (baixa dos custos operacionais), assim como o da qualidade de vida atual e de futuras gerações. Para termos uma ideia da importância deste setor, segundo estudos da Bloomberg New Energy Finance (BNEF), até 2040, o Brasil deverá atrair cerca de US$ 300 bilhões em investimentos para a geração de energia elétrica, a maior parte destinados a projetos solares e eólicos. Outro dado relevante é a estimativa que até 2024, 700 mil consumidores residenciais e comerciais devam ter instalados em seus telhados painéis fotovoltaicos. Projeta-se que até 2050, 13% de todo o abastecimento de residências no Brasil seja via energia solar, produzida nas próprias casas ou não.
EcoGuia. E a que se devem esses dados crescentes?
A diversos fatores, como: dependência de chuvas sazonais para preenchimento dos reservatórios e rios ligados a grandes bacias hidrográficas e represas com geração de energia elétrica via fonte hídrica; aumento da temporada de secas; necessidade da diminuição da poluição emitida por termoelétricas, das quais somos dependentes hoje em dia; emissão de menos carbono; necessidade de baixar custos de produção, principalmente ligados às operações das termoelétricas e menor dependência do atual sistema de distribuição, uma vez que hoje ele é abastecido em sua maioria por matrizes hídricas e termoelétricas. Melhorar e diversificar nossa matriz energética tornou-se uma questão de sobrevivência futura.
EcoGuia. Quais os principais destaques da 5ª EnerSolar?
Steward: Nossos principais destaques para esta edição são as soluções voltadas para indústria dos setores de GTDC (Geração, Transmissão, Distribuição e Comercialização) com a participação de empresas de diversos nichos destes setores, que trarão para a EnerSolar 2016 diversos modelos de sistemas prontos para instalação (projetos “chave na mão”); novas tecnologias as quais podem melhorar o ROI (Return On Investment) sobre os investimentos feitos nestas plataformas; novas tecnologias que otimizam tanto a captação/produção da energia como armazenamento e distribuição; e ações socioambientais e sociais ligadas diretamente ao setor.
EcoGuia. O ano de 2015 foi marcado pela forte expansão da energia eólica no mundo, impulsionada, principalmente, pela China, mas que teve no Brasil um dos principais atores. Como enxerga esse segmento em específico? Quais os maiores desafios daqui para frente no país?
Steward: O Brasil é hoje o 10º maior gerador de energia eólica do mundo, o qual teve uma expansão de cerca de 62% de 2014 para 2015, segundo o Ranking Mundial de Energia e Socioeconomia. Hoje, temos instalado no Brasil grandes parques eólicos no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul. É um segmento com um gigantesco potencial de crescimento. Há uma preocupação grande hoje por parte dos investidores, em relação à ligação destes parques eólicos à rede de distribuição nacional. Isto se deve em função de grandes leilões de energia que garantirão a funcionalidade e o retorno destes investimentos, além da melhoria no abastecimento regional, assim como na diversidade das matrizes energéticas oferecidas. Para o País, os maiores desafios estão em alinhar as políticas públicas (legislação e incentivo fiscal e financeiro) às necessidades específicas de cada estado/município em relação às possibilidades de novas matrizes energéticas, otimizando a produção dependendo da região. Para nós da Cipa Fiera Milano o desafio é promover cada vez mais o conhecimento no setor, tanto para empresários e governo, assim como para o consumidor final, disseminando assim uma cultura de diversidade de matrizes energéticas e seus benefícios socioeconômicos.
EcoGuia. Em sua opinião, a energia solar passará por um boom semelhante ou o crescimento tem sido mais uniforme?
Steward: Se colocarmos as instalações solares em um gráfico, veremos que há uma rápida expansão, explicada inclusive em função da instalação de grandes parques de energia solar como o de Tabocas do Brejo, na Bahia. No entanto, vale a pena entendermos que, assim como qualquer outra tendência mundial, é preciso analisar o contexto como um todo. Há um tempo no qual o produto é novidade e todos querem comprovar a sua eficácia. Outro momento, o de investimentos iniciais, onde se apresenta um grande movimento de instalações, com testes operacionais e de retorno financeiro. A fase da aplicação, ainda com custos altos, muitos instalam e usufruem da tecnologia, mas ainda limitada a poucos. Enfim, a fase da “colheita” da sociedade, onde novas tecnologias otimizam sua instalação a baixos custos, viabilizam a utilização por parte da grande população. Neste momento, o produto se populariza. Sobre os investimentos no setor, de acordo especialistas, a energia eólica, que nos últimos anos cresceu a velocidade exponencial por aqui, receberá US$ 84 bilhões; outros US$ 26 bilhões vão para biomassa, enquanto projetos de grandes e pequenas hidrelétricas receberão US$ 23 bilhões. Um terço dos US$ 300 bilhões esperados até 2040 — representativos US$ 125 bilhões — terá fins solares. Projetos de grande escala, com mais de 1 Megawatt (MW), receberão R$ 31 bilhões. Já a geração distribuída deverá atrair US$ 93 bilhões, tornando-se a grande estrela dessa nova revolução energética. Instalar sistemas fotovoltaicos no telhado de casa e em edifícios residenciais e comerciais deve virar um ótimo negócio, seguindo tendência mundial. Para o segmento público e parte do privado, postes de luz, abastecidos com energia híbrida, eólica e solar, são uma tendência irreversível. Teremos na EnerSolar 2016 empresas já apresentando soluções para estas operações se efetivarem.
EcoGuia. O mercado livre de energia propõe uma diferente relação entre consumidores e distribuidoras. A EnerSolar abriga esse tipo de discussão em seus fóruns? Há expositores representantes desse setor?
Steward: O mercado de Energia Livre no Brasil surgiu para estimular a livre concorrência e, assim, reduzir os custos com energia elétrica. O consumidor livre pode traçar suas próprias estratégias e negociar livremente as condições comerciais de contratação da sua energia. Tem a possibilidade de escolher preço, prazo e indexação, além de ter flexibilidade quanto ao montante de consumo. O consumidor livre também pode escolher seu fornecedor de energia, que pode ser um Gerador ou um agente Comercializador. Antes do surgimento do Mercado Livre, a única forma das empresas para contratar energia era no mercado cativo. Nele, os consumidores só podem comprar energia elétrica de uma concessionária ou de uma permissionária que tem a concessão para fazer o serviço de distribuição. O consumidor cativo não tem a possibilidade de negociar preço, ficando sujeito às tarifas de fornecimento estabelecidas pela ANEEL, que compra energia elétrica de distribuidoras que adquiriram essa energia através de leilões e, portanto, precisam repassar esses custos ao consumidor. Os principais benefícios do consumidor livre são: economia, poder de decisão e previsibilidade orçamentária. Dentre os temas dirigidos a este assunto, que serão debatidos na 6ª edição do Ecoenergy – Congresso de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia, destaco:
– Mesa redonda – Políticas Públicas e Iniciativas dos Estados em prol do Desenvolvimento Contínuo de Energias Renováveis.
– Como operacionalizar a complementaridade entre as fontes eólica e solar para suprir a demanda de energia em pequenos e grandes consumidores.
– A Geração Distribuída Fotovoltaica e seu impacto na conta de energia do consumidor brasileiro.
– Expectativas em relação ao aprimoramento da Resolução Normativa nº 482/2012, que serão válidos no primeiro semestre de 2016.
– Incentivos tributários para a geração de energia solar.
EcoGuia. Um artigo britânico publicado recentemente pela Energy Research & Social Science diz que a dependência de combustíveis fósseis poderia acabar em 10 anos. Por mais utópico que pareça, em sua opinião, o que é necessário para a expansão maciça das energias renováveis no mundo?
Steward: Não podemos depender de apenas uma ou duas matrizes energéticas. A crise no setor energético nos últimos meses, agravada pela seca, destacou a necessidade do País diversificar sua matriz energética e o grande potencial de diversificação está nas fontes renováveis, não necessariamente em termelétricas a óleo combustível, a qual gera grande poluição. A oportunidade existe no fato de que à medida que o País expande a capacidade e a geração a partir de fontes alternativas, aumenta sua segurança energética e a resiliência frente a fenômenos extremos.
EcoGuia. Os expositores da EnerSolar trarão novidades de produtos ou serviços para a feira? Pode adiantar algum exemplo?
Steward: Dentre os destaques da feira podemos citar as soluções “chaves na mão” de sistemas fotovoltaicos em telhados de empresas, coberturas, terrenos e estufas, ou seja, empresas que oferecem soluções completas, prontas para serem utilizadas, incluindo todos os equipamentos, mão-de-obra, documentação e o que mais for necessário para o sistema funcionar; os módulos poli-cristalinos que, em resumo, apresentam maior eficiência na captação da luz solar; inversores inteligentes; e sistemas para atender o comércio e indústria de pequeno porte e de autoconsumo. A feira trará diversas soluções, serviços e produtos abrangendo os segmentos de energia solar, eólica e de biomassa: micro inversores de frequência, painéis solares, estruturas de fixação, conexões, aquecedores solares, placas termo solares, painéis fotovoltaicos, aerogeradores, inversores, máquinas para transporte e manuseio de biomassa, caldeiras e queimadores. Enfim, toda a solução que atenda do pequeno ao grande projeto.
EcoGuia. Fale um pouco dos números da edição anterior e as expectativas para esta.
Steward: Em 2015 o evento reuniu 75 expositores e mais de 10 mil visitantes em três dias. Para 2016 nossas expectativas já estão sendo superadas: cerca de 80 marcas expositoras e previsão de 12 mil visitantes. Como diferenciais da EnerSolar + Brasil 2016, destaco a qualificação do público presente; o congresso sólido já em sua 6ª Edição, que é o Ecoenergy, com mais de 500 congressistas; além da presença das principais empresas e associações do setor.
EcoGuia. Acredita que o Brasil vem fazendo a sua parte no incentivo à adoção de energias renováveis, salvo a hidrelétrica, que compõe a maior parte de nossa matriz energética?
Steward: O Brasil possui excelente potencial para diversificar suas matrizes energéticas com geração limpa e renovável. Este potencial só poderá ser aproveitado com a disseminação dos conhecimentos técnicos setoriais, os quais proporcionam a operacionalização destas ações. Um grande evento com empresas apresentando as novas tendências e tecnologias de seus produtos e serviços para o setor, assim como um grande congresso disseminando as diversas vertentes de conhecimento para quem deseja ingressar no setor, tanto com um micro investimento ou com um aporte milionário, difunde esta tendência mundial para população como um todo, dos investidores residenciais às maiores indústrias. O Brasil em breve será um dos maiores geradores mundiais de energias limpas e renováveis.
Serviço:
EnerSolar+Brasil – Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar
Quando: de 10 a 12 de maio, das 13h às 20h
Onde: São Paulo – SP
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, KM 1,5 – Água Funda, São Paulo – SP
Mais informações: www.enersolarbrasil.com.br/16
Fonte: Ecoguia.net
Data: 11/05/2016






